• Wednesday , 22 November 2017

Inclusão escolar ganha nova perspectiva com lançamento de cartilha

“Escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando a Educação para todos”. Declaração de Salamanca

cartilha

Citado logo nas primeiras páginas da recém lançada Cartilha da Inclusão Escolar – Inclusão Baseada em Evidências Científicas, o trecho em destaque acima sinaliza que esta publicação pode ser considerada uma referência sobre o que de fato se espera desta palavra “inclusão” e o significado de sua aplicação prática no contexto da educação.

A importância do trabalho pode ser medida pelo número de participantes que o desenvolveram. Reunião recorde de associações, ONGs, grupos, diversas instituições e dezenas de profissionais das mais variadas áreas do conhecimento envolvidos na sua produção.

Chama a atenção a qualidade do conteúdo quando analisado do ponto de vista prático, que traz o tema a partir da perspectiva da ciência. O resultado objetivo da publicação logo de cara derruba o distanciamento nada incomum entre a academia e a vida cotidiana. Só por isso, já merece todos os créditos.

A prática e a objetividade seguem na proposta clara de apresentar todos os passos relevantes para a atividade inclusiva. As demandas especiais são tratadas em capítulos com recomendações específicas em relação aos deficientes visuais e auditivos, portadores de deficiência intelectual, motora, transtorno do espectro de autismo, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), dislexia, discalculia e outros. Orientações fundamentais e esperadas para um documento que se propõe a tratar de inclusão.

Mas, a grande surpresa fica mesmo logo na sequência da leitura quando chega-se ao capítulo chamado Princípios e Práticas em Neurociência da Educação – A arte cientificamente Fundamentada de Ensinar, quando o conceito entendido como inclusão se desconstrói a medida que vão surgindo os princípios que colocam a criança no lugar da criança, um lugar onde todas são especiais.

Desse ponto de vista, o olhar é tão cuidadoso sobre as demandas individuais que todos viram especiais. São seres únicos reconhecidos pelas habilidades, deficiências, ritmos de aprendizado variados e toda a sorte de diversidade cognitiva conhecida. Nesse lugar, todos são diferentes e merecem atenção e cuidados diferentes.

Segundo divulgação da  Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), uma das participantes do projeto, “trata-se da primeira cartilha com diretrizes claras e objetivas, que não se restringe à criança com deficiência ou com necessidades educacionais especiais, mas contempla toda criança, em sua vasta diversidade de habilidades e dificuldades”.

Não se trata aqui de considerar esse projeto uma verdade absoluta. Mas de valorizar o diálogo que a proposta trouxe não só para os seus participantes, mas para a sociedade e os diversos interlocutores interessados em uma educação eficiente, conhecedora da sua obrigação de formar cidadãos conscientes do seu potencial. E isso inclui nos revermos como agentes de transformação social.

Quem têm crianças com necessidades “especiais” conhece bem a sofrida e solitária trajetória de encontrar acolhimento no ambiente escolar. Uma maratona que chega a ser quase constrangedora até conseguir descobrir essa tal escola inclusiva. Isso quando ela existe na comunidade onde vive a criança, e/ou é economicamente acessível, pois nem sempre a escola pública oferece condições mínimas de aprendizado para esses jovens. Essa é uma realidade difícil e incontestável.

Essa cartilha nos mostra que o assunto inclusão está cada vez mais sendo olhado de forma séria, apontando caminhos que nos desviam das armadilhas do modismo e do radicalismo. Ficamos na expectativa de que a discussão se estenda para a inclusão de crianças com outras necessidades, as que sofrem de transtornos mentais tais como depressão, anorexia, transtornos disruptivos ou bipolar. Há uma enorme carência de informações que orientem os educadores sobre como encarar os desafios para superar o estigma e o preconceito em torno desse público.

– Clique e baixe aqui sua cópia
– Clique e conheças as instituições apoiadoras
– Clique aqui e baixe a Declaração de Salamanca 

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